30 de jun de 2010

Momento Modernista

APÓS A REALIZAÇÃO DA SEMANA DE ARTE MODERNA (SAM), inícia-se o primeiro e mais radical Momento Modernista. Compreendido entre 1922 e 1930, esse período é marcado por uma série de manifestos e revistas, de duração efêmera, que divulgavam as novas idéias. Confira o depoimento de Mário de Andrade:
" A semana de Arte Moderna dava um primeiro golpe na pureza do nosso aristocracismo espiritual. Consagrado o movimento pela aristocracia paulista, si ainda sofreríamos algum tempo ataques por vezes cruéis, a nobreza regional nos dava mão forte e... nos dissolvia nos favores da vida. Está claro que não agia de caso pensado, e si nos dissolvia era pela própria natureza e o seu estado de decadência. Numa fase em que ela não tinha mais nenhuma realidade vital, como certos reis de agora, a nobreza rural paulista só podia nos transmitir a sua gratuidade. Principiou-se o movimento dos salões. E vivemos uns oito anos até perto de 1930, na maior orgia intelectual que a história do país registra."

Por ser um período de busca de definições, essa fase compreendeu alguns grupos que se dividiram ideologicamente. Em São Paulo, do lado mais engajado, estavam Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Alcântara Machado, Sergio Milliet etc. Esse grupo foi o responsável pela fundação das revistas Klaxon, Terra Roxa e Outras Terras. Além disso, Oswald de Andrade escreveu o Manifesto da Poesia Pau-Brasil e Manifesto Antropófago, que deu origem a Revista de Antropofagia.
Do lado mais conservador estavam Menotti Del Picchia, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado. Eles foram os organizadores do Grupo Verde Amarelismo, que acentuou o seu teor reacionário com a formação da Escola da Anta.
Além das revistas e manifestos mencionados acima, ainda destacam-se:
•A revista "Estética", lançada no Rio de Janeiro em 1924, liderada por Sérgio Buarque de Holanda. Essa revista, apesar de ter apenas 3 números, durou até 1925. O seu conteúdo era muito rico em material teórico. Foi nessa revista que Graça Aranha publicou artigos que revelavam a sua tentativa em atualizar-se dentro do movimento modernista e que marcavam também o seu rompimento com a Academia Brasileira de Letras. Confira um trecho do artigo "Mocidade e Estética":
"A ação do jovem moderno será eminentemente social. A estética que o inspira lhe patenteará pela análise do que é o Brasil e quais os trabalhos extremos a que se deve consagrar"
•A revista católica "Festa", também do Rio de Janeiro, da qual participavam Tasso da Silveira, Murilo Mendes e Cecília Meireles e com colaborações de Mário de Andrade. Em sua primeira fase, de 1927 a 1929, foram publicados doze números. Sua diagramação era moderna: títulos em letras minúsculas e matérias organizadas de forma pouco convencional. A revista destaca-se devido ao seu caráter crítico, apresentados ao público em longos ensaios.
•O periódico "A Revista", responsável pela divulgação das idéias modernistas em Minas Gerais, contava com a participação de Carlos Drummond de Andrade. Apesar da publicação de apenas três números essa revista abriu o caminho para o surgimento da "Revista Verde" de Cataguazes.
Dentre os manifestos, destaca-se ainda o "Manifesto Regionalista", que não era bem um manifesto, pois reunia uma série de pronunciamentos feitos em 1926, quando foi realizado o Primeiro Congresso Regionalista do Nordeste. Liderados por Gilberto Freire, o "Grupo de Recife" trabalhava em prol dos interesses da região nos setores sociais, econômicos e culturais.

A forma de expressão que mais se destaca e a que mais apresenta inovações nesse Primeiro Momento Modernista é a poesia. Os principais autores desse período são: Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Manuel Bandeira, Menotti Del Picchia, Alcântara Machado, Cassiano Ricardo e Plínio Salgado.

Nas outras artes (pintura, arquitetura, música e escultura), destacam-se Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Villa Lobos e Vitor Brecheret.
De 1930 a 1945, o movimento modernista vive um segundo momento, que reflete as transformações passadas pelo país.



Revista Klaxon — Mensário de Arte Moderna (1922-1923)

Recebe este nome, pois klaxon era o termo usado para designar a buzina externa dos automóveis. Primeiro periódico modernista, é conseqüência das agitações em torno da SAM. Inovadora em todos os sentidos: gráfico, existência de publicidade, oposição entre o velho e o novo.

“— Klaxon sabe que o progresso existe. Por isso, sem renegar o passado, caminha para diante, sempre, sempre.”

Manifesto da Poesia Pau-Brasil (1924-1925)

Escrito por Oswald e publicado inicialmente no Correio da Manhã. Em 1925, é publicado como abertura do livro de poesias Pau-Brasil de Oswald. Apresenta uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira, a partir de uma redescoberta do Brasil.

“— A poesia existe nos fatos. Os casebres de açafrão e de ocre nos verdes da Favela sob o azul cabralino, são fatos estéticos.”

“— A língua sem arcaísmos, sem erudição. Natural e neológica. A contribuição milionária de todos os erros. Como falamos. Como somos.”

Verde-Amarelismo (1926-1929)

É uma resposta ao nacionalismo do Pau-Brasil. Grupo formado por Plínio Salgado, Menotti del Picchia, Guilherme de Almeida e Cassiano Ricardo. Criticavam o “nacionalismo afrancesado” de Oswald. Sua proposta era de um nacionalismo primitivista, ufanista, identificado com o fascismo, evoluindo para o Integralismo de Plínio Salgado (década de 30). Idolatria do tupi e a anta é eleita símbolo nacional. Em maio de 1929, o grupo verde-amarelista publica o manifesto “Nhengaçu Verde-Amarelo — Manifesto do Verde-Amarelismo ou da Escola da Anta”.

Manifesto Regionalista de 1926

1925 e 1930 é um período marcado pela difusão do Modernismo pelos estados brasileiros. Nesse sentido, o Centro Regionalista do Nordeste (Recife) busca desenvolver o sentimento de unidade do Nordeste nos novos moldes modernistas. Propõem trabalhar em favor dos interesses da região, além de promover conferências, exposições de arte, congressos etc. Para tanto, editaram uma revista. Vale ressaltar que o regionalismo nordestino conta com Graciliano Ramos, José Lins do Rego, José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz, Jorge Amado e João Cabral - na 2ª fase modernista.

Revista Antropofagia (1928-1929)

Contou com duas fases (dentições): a primeira com 10 números (1928 e 1929) direção Antônio Alcântara Machado e gerência de Raul Bopp; a segunda foi publicada semanalmente em 16 números no jornal Diário de São Paulo (1929) e seu “açougueiro” (secretário) era Geraldo Ferraz. É uma nova etapa do nacionalismo Pau-Brasil e resposta ao grupo Verde-amarelismo. A origem do nome movimento esta na tela “Abaporu”(O que come) de Tarsila do Amaral.

1ª fase - inicia-se com o polêmico manifesto de Oswald e conta com Alcântara Machado, Mário de Andrade (2º número publicou um capítulo de Macunaíma), Carlos Drummond (3º número publicou a poesia “No meio do caminho”); além de desenhos de Tarsila, artigos em favor da língua tupi de Plínio Salgado e poesias de Guilherme de Almeida.

2ª fase - mais definida ideologicamente, com ruptura de Oswald e Mário de Andrade. Estão nessa segunda fase Oswald, Bopp, Geraldo Ferraz, Oswaldo Costa, Tarsila, Patrícia Galvão (Pagu). Os alvos das críticas (mordidas) são Mário de Andrade, Alcântara Machado, Graça Aranha, Guilherme de Almeida, Menotti del Picchia e Plínio Salgado.

“A nossa independência ainda não foi proclamada. Frase típica de D. João VI: — Meu filho, põe essa coroa na tua cabeça, antes que algum aventureiro o faça! Expulsamos a dinastia. É preciso expulsar o espírito bragantino, as ordenações e o rapé de Maria da Fonte.” (Revista de Antropofagia, nº 1)

HILTON GAMA EM PATY DO ALFERES

Finais do basquete masculino "A" em Paty do Alferes em agosto de 2009. O grupo é treinado pelo professor Antonio Augusto. (By Marta Rocha).

ALMANAQUE DA REDE

Belíssimo trabalho realizado pela professora de Língua Portuguesa, Jussiara.

COORDENAÇÃO DE TURNO

1º TURNO - ODILA
2º TURNO - KELLY
3º TURNO - ANTONIO